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Agricultura Familiar de Januária. Um Potencial não aproveitado.

 

Januária possui uma população de 65 mil habitantes, sendo 33 mil moradores da área rural. O desenvolvimento econômico se baseia na prestação de serviço e na agricultura principalmente pecuária e segundo entrevista com Banco do Nordeste e SINTRAF (Sindicato das Agricultura Familiar) a agricultura familiar tem grande peso na vida dos januarenses.

Cícero de Almeida Borem Junior Gerente de Negócios do PRONAF para míni e pequenos produtores rurais conta que o desenvolvimento da agricultura familiar é importante visto o peso que a economia rural tem para o município de Januária que basicamente gira em torno da agricultura e da prestação de serviço não tendo industrias ou outras fonte de renda. Para exemplificar ele repassa que apenas o Banco do Nordeste investe 9 milhões na agricultura familiar por ano no município, sendo 2 milhões do programa AGROAMIGOS.
A agricultura familiar teria impacto numa escala econômica de combater a miséria e ainda gerar renda, saúde e preservação.
Segundo o SINTRAF a agricultura família se caracteriza por produzir seu próprio alimento e garantir a subsistência e renda com um produto saudável. A agricultura familiar agroecológica é uma bandeira do SINTRAF que significa não utilizar agrotóxicos, e entende que o manejo destes pequenos produtores preserva o meio ambiente, recuperar áreas degradadas, assoreadas, preservar o leito das nascentes, neste ponto de vista a relação da agricultura tem o potencial de produção sustentável ecologicamente e saudável.
A área rural é grande mas não consegue abastecer as necessidade do município que compra de fora mais de 400 toneladas de alimentos de outras regiões do país. A Secretaria Municipal de agricultura familiar e a Emater explicam que não é por falta de capacidade produtiva da região, mas outros fatores.
De acordo com dados repassados por José Hélder, Januária possui mais de 27 mil famílias da agricultura familiar, 274 comunidades rurais com 226 associações comunitárias rurais. Consideradas um dos municípios com maior biodiversidade da região possuindo 125 km só de rio São Francisco, 45 ilhas, mais de 300 vazantes.
As cadeias produtivas da agricultura seriam a do extrativismo, bovinocultura, hortfrutigrajeiro e pesca artesanal. Januária possui a maior região reserva de mata nativa do cerrado preservada de Minas Gerais se tornando uma das bases de sustento da agricultura familiar a coleta de frutos do cerrado. Existe ainda a agricultura de mata seca, de veredas.
A cadeia produtiva da bovinocultura produz mais de 25 mil cabeças de gado. As culturas regionais geram uma produção no município de 3 mil hectares de milho, 2 mil hectares de feijão, 2 mil hectares de mandioca, 1 mil e 500 hectares de cana e 2 mil hectares de cucurbitáceas que são abobora, melancia, melão.
Hortifrúti Granjeiros em que Januária produz 30 toneladas e compra de fora 470 toneladas. Outra cadeia produtiva é a da pesca artesanal que de acordo com o acompanhamento da pesca legal cada pescador comercializa cerca de 15 mil reais por ano. E uma ultima cadeia produtiva de Januária é a apicultura com uma produção de 40 toneladas por ano.
Os gargalos seria a inadimplência do CEASA e do CEJAN que impedem de receber receita do governo federal, estadual e municipal, não se estrutura desta forma para subsidiar a agricultura com áreas de estocagem, armazenamento, transporte para projetos de produção, higienização ou mesmo capacidade de organizar a comercialização, alem da dificuldade de escoamento e recebimento da produção pelas estradas distantes e precárias.
Em 30 anos de existência o CEASA apenas neste semestre realizou a primeira ação de porte estrutural do CEASA, a organização da feira livre do município, que possui 280 feirantes.
Entre gargalos José diz que falta corpo técnico da EMATER para conseguir realizar uma melhor assistência técnica, falta prioridade do governo municipal para com a agricultura, falta apoio para viabilizar as condições de trabalho como a mecanização, melhores condições de armazenamento, estradas adequadas.
Cleber da Mota técnico da EMATER fala que o que falta é organizar a demanda, garantir ao produtor que sua produção terá escoamento e venda garantida, o solo e o clima da Januária são propícios a muitos cultivos como o de mamão, melão, mas falta ações integradas das entidades ligadas ao desenvolvimento da área rural de Januária para conseguir colocar a agricultura como prioridade das ações de ordem política e financeira do município, dando o devido valor que a atividade tem, explorando seu potencial.
Cleber da Mota ainda explica que o produtor gasta investindo na produção e no escoamento (transporte que tem altos custos pela distancia e precariedade das estradas) o que implica gastos e riscos para o agricultor. O município precisaria de um sistema para garantir o negocio entre produtor e consumidor, garantir e organizar as demandas das duas pontas, de quem fornece e de quem consome, conseguindo garantias e criando incentivo de produção e consumo desenvolvendo a economia do município.

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Sobre Pri

Comunicadora popular da rede ASA(articulação do semiárido brasileiro), Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais e contribuo com a rede Amigos de Januária.

Discussão

5 comentários sobre “Agricultura Familiar de Januária. Um Potencial não aproveitado.

  1. Ótimo trabalho de reportagem! Parabéns Pri!

    Publicado por amandarossi | fevereiro 12, 2012, 6:02 am
  2. Pri, super interessante. Posso dizer por experiência que pequenos agricultores enfrentem as mesmas condições em muitos países do mundo, até em regiões de países supostamente ‘desenvolvidos’. Tem tantos fatores, como vc bem conta, que acabam criando esta dinâmica.

    Concordo com o técnico que organizar a demanda é prioridade. Uma das maneiras de organizar e garantir demanda é através da demanda interna do próprio governo. Já trabalhei em países aonde as escolas conseguem preparar refeições com produtos locais, por exemplo. Outra maneira é de criar um sistema de “assinatura” para frutas e vegetais, em que pessoas pagam uma cota por semana e recebem entregues em casa caixinhas cheias. Ainda outra maneira de criar demanda seria incentivar pequenas empresas que fabricam produtos de valor addicionado, tipo geleias e compotas das frutas por exemplo. Existem iniciativas destas? Ou possibilidades?

    Publicado por giantpanda | fevereiro 16, 2012, 10:43 pm
  3. Excelente reportagem, parabens!
    como você mesma disse, temos muito potencial na agricultura, porém o que falta é uma valorização do que produzimos. Para isso é necessario maior investimento do poder publico e privado para manter um escoamento da produção constantemente, que além de manter uma renda ao produtor, também mantem um consumo local e melhorar a renda per capita do municipio.

    Publicado por Alisson Araujo | março 23, 2013, 12:04 pm
  4. metade da população de januária vive na área rural? lol!

    Publicado por charles95 | junho 23, 2013, 2:06 pm

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